Por Bruno de Azevedo*
Quem
teve o privilégio de participar do Fórum Social Mundial 2018, realizado este
ano em Salvador, pôde se aventurar no mar agitado e revolto da resistência.
E
não pensem que o cenário tempestivo das ondas era acompanhado do céu escuro e
das nuvens densas; a pictografia do fórum representava a agitação alva da
esperança de um novo amanhecer, em que as batidas constantes das ondas desenham
as rochas à beira da praia. Metáfora simples que descreve a persistência
contínua e natural do enfrentamento com os obstáculos da vida.
Durante
cinco dias, pessoas de diversos países se reuniram na capital baiana com o
objetivo de compartilhar experiências, de mostrar sua cultura, de conhecer o
novo, de serem vistos e ouvidos como cidadãos que habitam um mundo que os veem
como produto, ou até mesmo, não os veem.
Em
muitos países, assim como no Brasil, o negro, a mulher, o índio, o LGBT, ou
qualquer indivíduo que não pertença à classe branca abastada, está relegada ao
canto da sala, aos porões dos navios, ao esquecimento. Vozes são caladas e
vítimas são silenciadas por sistemas que teimam em classificar o humano não
como um ser social, mas como um ser que produz.
Talvez
essa tenha sido as razões de se escolher o tema “Resistir é criar, Resistir é
transformar”. E, hoje, mediante a tanto ódio gratuito e tanta violência com o
“diferente”, é necessária a resistência, sobretudo, a que gere transformação
social.
Engana-se,
no entanto, que esta transformação seja conquistada individualmente. O coletivo
é que faz a diferença.
No
fórum, presenciamos laços serem feitos por diferentes pessoas que habitam distintos
lugares, mas que comungavam de semelhantes ideias. Projetos culturais,
artísticos e sociais serem idealizados a partir do debate nas mesas de
comunicação. Palestras, amostras e discursos voltados ao diálogo e a liberdade.
O
lugar de fala nunca foi tão debatido e reivindicado. Não se quer mais a
representação feita por outro, muitas vezes rasa e caricata. Se almeja o espaço
do poder dizer, do poder falar, do poder ser.
Não
importa as lacunas ou os abismos sociais que separam os indivíduos. O
segregacionismo irracional nunca leva a nada.
O
Fórum Social Mundial deste ano reforçou a luta pelo diferente, que resiste, que
cria e que transforma.
Lutar
é preciso e resistir às intempéries é essencial na busca por igualdade de
direitos e por uma sociedade justa e democrática. Avante!
*
Bruno de Azevedo é jornalista, assessor de imprensa do Sindicato dos Bancários
de Itabuna e Região, e mestrando do PPGLLR da Universidade Estadual de Santa
Cruz (UESC).


