O mês de novembro se
apresenta com uma dualidade que considero triste: é o mês de comemoração do Dia
da Consciência Negra; mês da tragédia em Mariana (MG), além dos atentados em
Paris, capital da França. Comemoração e lamentação em um único mês. Um novembro
negro.
O Dia da Consciência Negra, instituída
no Brasil em 2003, é celebrado no dia 20 por coincidir com a morte de Zumbi dos
Palmares, e tem como objetivo remeter à resistência do negro contra a
escravidão de forma geral. Um dia de reflexão.
Contudo, precisamos de dias
assim para lembrar a sociedade que todo ser humano merece respeito? Precisamos.
O preconceito ainda é uma
chaga social. Uma ferida que dói àqueles que são oprimidos, humilhados,
repudiados e até mortos por serem ‘diferentes’.
O preconceito é um termômetro
que marca a indiferença, a intolerância e por que não dizer, a falta de
sabedoria. Mostra quanto o ser humano está distante de viver em harmonia com o
próximo, com as diferenças do próximo.
Sim, nós não somos todos
iguais. Somos seres distintos. Que bom!
São nessas diferenças,
psíquicas, psicológicas, físicas, culturais...que podemos encontrar a
interessante essência de sermos, apenas, humanos. Seres frágeis, com prazo de
validade corpóreo datado desde o nascimento, mas que são capazes de atos
terríveis.
Quando não se aceita as
diferenças do próximo, o homem bate, humilha e mata. Quantas pessoas já
morreram e quantas ainda vão morrer por conta da tal diferença? Quantos
atentados serão planejados e irão acontecer para que o mundo desperte para a
realidade de se preservar a vida?
São questionamentos...apenas
questionamentos de alguém que também está aprendendo a conviver com o
diferente.
Talvez, se vivêssemos em
igualdade, não precisaríamos de “Dias de Consciências”, mas sim, de dias de
celebração à vida. A todas elas.
Não encontraremos paz na
igualdade. Encontraremos a felicidade na alegria de se conviver com as
diferenças!
Texto de Bruno de Azevedo


