quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Especial é ser diferente

O mês de novembro se apresenta com uma dualidade que considero triste: é o mês de comemoração do Dia da Consciência Negra; mês da tragédia em Mariana (MG), além dos atentados em Paris, capital da França. Comemoração e lamentação em um único mês. Um novembro negro.

O Dia da Consciência Negra, instituída no Brasil em 2003, é celebrado no dia 20 por coincidir com a morte de Zumbi dos Palmares, e tem como objetivo remeter à resistência do negro contra a escravidão de forma geral. Um dia de reflexão.

Contudo, precisamos de dias assim para lembrar a sociedade que todo ser humano merece respeito? Precisamos.

O preconceito ainda é uma chaga social. Uma ferida que dói àqueles que são oprimidos, humilhados, repudiados e até mortos por serem ‘diferentes’.

O preconceito é um termômetro que marca a indiferença, a intolerância e por que não dizer, a falta de sabedoria. Mostra quanto o ser humano está distante de viver em harmonia com o próximo, com as diferenças do próximo.

Sim, nós não somos todos iguais. Somos seres distintos. Que bom!

São nessas diferenças, psíquicas, psicológicas, físicas, culturais...que podemos encontrar a interessante essência de sermos, apenas, humanos. Seres frágeis, com prazo de validade corpóreo datado desde o nascimento, mas que são capazes de atos terríveis.

Quando não se aceita as diferenças do próximo, o homem bate, humilha e mata. Quantas pessoas já morreram e quantas ainda vão morrer por conta da tal diferença? Quantos atentados serão planejados e irão acontecer para que o mundo desperte para a realidade de se preservar a vida?

São questionamentos...apenas questionamentos de alguém que também está aprendendo a conviver com o diferente.

Talvez, se vivêssemos em igualdade, não precisaríamos de “Dias de Consciências”, mas sim, de dias de celebração à vida. A todas elas.


Não encontraremos paz na igualdade. Encontraremos a felicidade na alegria de se conviver com as diferenças!

Texto de Bruno de Azevedo

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